(DO MESTRE FRANCISCO)
Na década de 70, durante uma palestra, perguntaram ao renomado jurista Ariosvaldo Campos Pires se o tribunal do júri era um somatório de 40% arte cênica, 40% de persuasão e 20% de conhecimento jurídico? Ao que veio a resposta: “Eu aumentaria o percentual do conhecimento jurídico. Ninguém é capaz de comunicar aquilo que não sabe. Ninguém se comunica com a máxima efetividade material que não conhece. Afinal somos advogados e como tal temos que nos valorizar.”.
Quando comunicamos, pretendemos afetar, influenciar o nosso ambiente e a nós. A cultura influencia a personalidade. As necessidades biológicas influenciam a organização social. O conhecimento influencia as atitudes. A língua influencia o pensamento. O pensamento influencia a crença. A crença influencia os sistemas sociais. Os sistemas sociais influenciam as condições biológicas.
Quando comunicamos, devemos fundamentar nossas previsões em tudo o que sabemos.
Pela primeira vez na história do Brasil, o julgamento do advogado e ex-policial Mizael Bispo foi transmitido ao vivo pelas emissoras rádio, TV e internet. A iniciativa do juiz Leandro Bittencourt tencionou aproximar o judiciário do jurisdicionado. Assim, ele disse: “A justiça ainda é muito distante da população. A transmissão irá melhorar o entendimento do que acontece dentro dos tribunais, dará mais transparência ao judiciário, trará mais responsabilidade. Promotores, advogados, juízes, todos os envolvidos irão se preparar melhor”.
Durante os trabalhos de um júri o que se vê são ofensas pessoais onde as partes esquecem o respeito e quase de digladiam. A maioria não liga pela matéria e ideologia do processo e ataca o homem tentando desestabilizá-lo.
Se a moda pega, o show ficará mais emocionante com a participação da mídia. Nos lares teremos torcidas organizadas para promotor e advogado de defesa. As sessões de júri disputarão audiência com o Big Brother Brasil. Pelas encenações dos atores travestidos, o coração vencerá a razão, cada cabeça uma sentença.











