Causos caipiras estão recheados de pescarias, caçadas, crendices e um tanto de exageros. Sempre se misturam. Ouvi muitas vezes a história que vou relatar a seguir, de tantas pessoas diferentes, e, tive a honra, pode-se dizer assim, de ouvir do protagonista da mesma, segundo o próprio.
Havia lá no sítio “Seo” Toninho. Ele se orgulhava de ter sido um grande caçador, nos brindava com muitas histórias das caçadas, no tempo em que ainda havia índios aqui na região. Em especial, ele nutria um carinho imenso pelo Sultão, um cachorro perdigueiro que era exímio caçador de codornas. Era, segundo as palavras dele “o cachorro mais mió di bão” que existiu naquelas paradas.
O cachorro era treinado, “amarrava” as codornas. Pra quem não sabe o que é isso, é aquele tipo de cachorro que a gente vê nos desenhos animados, já vi no desenho do Pernalonga. O cachorro quando encontra a codorna, fica em pé atrás dela, levanta uma das patas dianteiras, estica o rabo e fica com o focinho apontando a codorna, ali escondidinha. O caçador chega, dá um cutucão com a arma no traseiro do cachorro, que encosta o focinho na codorna, ela voa (levanta), e o caçador atira.
Então, em um final de caçada, certo dia, o cachorro sumiu no meio do mato. Ele chamou, procurou, até que caiu a noite, desistiu e voltou para casa. Pensou: o cachorro é sabido, encontra o caminho de volta.
E o Sultão nunca mais voltou. Passaram-se dias, semanas, ele esperou, tornou a procurar e nunca mais.
Muito tempo depois, ele já tinha até esquecido do Sultão, estava caçando no mesmo local, onde um ano atrás o cachorro tinha sumido.
- E não é que eu encontrei o Sultão! – dizia ele.
- Ah, verdade Seo Toninho?
- É rapaz... – continuava sem a cara ficar nem vermelha – encontrei os dois. Tava só a ossada do Sultão em pé, apontando, e na frente dele a ossadinha da codorna, ali paradinhos. Como eu não apareci para atirar ficaram lá os dois.
Silvio Santos jura que ouviu isso aí do dono do Sultão. E acreditou.










