Eu e minha amiga Paula conversávamos via Messenger. No meio de nosso bate-papo, surge a seguinte pergunta:
– Você conhece o Orkut?
– Já ouvi falar sobre ele, mas não sei como funciona.
– Você tem que ser convidado. Pera aí.... Pronto! Abra seu e-mail agora!
Era o meu convite para reunir amigos espalhados por esse mundo, ampliar minha rede de relacionamentos, fazer parte de várias comunidades que têm a ver comigo (outras nem tanto).
Não é o máximo? Agora estou no Orkut!
Passava horas vasculhando cada possibilidade do brinquedinho novo. Alguns dias passaram e comecei a enxergar um pouco mais além do que uma simples brincadeira. Não demorou a vir o pensamento mesquinho: POR QUE EU NÃO TIVE ESSA IDÉIA?
O Orkut não é um game on-line , é um projeto muito bem elaborado por seus idealizadores, começando pelo fato de que é preciso ser convidado e ter uma conta ativa no Google para ser usuário. Pense no volume de informações geradas por todos os associados, uma base de dados mundial, rica e interligada. É, sem dúvida, o mais espetacular modelo de negócios e de marketing virtual já criado.
Sentimo-nos felizes em poder encontrar amigos de infância e aqueles que estavam ou estão distantes, pessoas que admiramos, com as quais, em uma situação real, provavelmente nunca iríamos compartilhar nossas intimidades. Pelo Orkut, podemos enviar um scrap de bom dia, boa semana, feliz aniversário, marcar encontros, ou simplesmente perguntar como anda a vida.
Expressamos para o mundo o que sentimos em relação a uma determinada pessoa, por meio dos famosos testemunhos, e podemos classificar os amigos nas categorias: sexy , legal e confiável; se bem que até hoje não concordo com as notas atribuídas a mim.
O Orkut nos proporciona uma felicidade “virtual”. Em troca, fornecemos valiosas informações “reais”!
Vivemos na era da cibercultura. Nesse cibermundo globalizado, a principal moeda é a informação e o Orkut é uma fonte inesgotável de variadas informações.
Como tudo tem dois lados, o uso dessas informações começa a preocupar os usuários: muitos já deletam regularmente seus scraps , para minimizar os rastros de sua intimidade. Isso tem ocorrido, porque, com um pouco de expertise , você pode rastrear a rotina de uma pessoa só com base nos scraps , é possível traçar uma personalidade levantando as comunidades das quais a pessoa faz parte, saber como ela é vista por sua rede de amigos e muito mais.
Do ponto de vista empreendedor, o Orkut fornece informações diretas sobre o público-alvo de uma empresa, a qual pode montar estratégias e ações mais eficientes. Imagine que você queira lançar um produto ou serviço para o público GLS, basta fazer uma coleta de informações em milhares de comunidades e perfis cadastrados.
Recentemente, li numa revista que empresas estão coletando informações via Orkut, à caça de novos executivos. Não são poucas aquelas que, ao separarem um currículo relevante, utilizam o site como ferramenta em processos seletivos para vagas de emprego. Por meio do Orkut, analisam o perfil do candidato, suas comunidades, a rede de relacionamento, os testemunhos, scraps e admiradores. Afinal, está tudo ali.
Muitos “orkutmaníacos” estão desaparecendo da lista de relacionamentos e esse fenômeno é chamado de “orkuticídio”. Isso tem ocorrido por diversos motivos: a chateação causada pelo assédio virtual, a alta exposição, as incansáveis mensagens de “Clica aqui, olha o que tenho para você”, a invasão dos spammer “orkutianos”, pela novidade de poder saber quem visualizou seu perfil, vírus, ou porque cansaram da brincadeira e, em vez de ficarem em casa respondendo a scraps , resolveram simplesmente entrar numa escola de dança, por exemplo.
Seja para simples entretenimento, expandir contatos, negócios ou praticar espionagem virtual, o Orkut é uma vasta fonte de conhecimento. Ter esse conhecimento pode ser bom ou ruim, só depende de como as pessoas utilizarão essas informações.
Portanto, fique atento à forma como você está se apresentando para o mundo. Seja por Orkut, blogs , sites , ou outros. Estar na rede significa estar exposto, é ser cidadão do mundo. E se você não quer se expor, não tenha Orkut.....
Ah, quem quiser me adicionar em sua rede de amigos, fique à vontade, mas deixe um scrap antes:
Por enquanto, não deleto meus scraps , a não ser mensagens publicitárias, ofensivas, racistas, ou de caráter extremamente pessoal.
Um beijãozaço e uma ótima semana a todos!

Por Patrícia Ribeiro
Radialista










