02/10/2018 - SAÚDE

Entenda a diferença entre doença de Alzheimer e a demência

Fonte: msn.com


 


A demência pode denotar muitas condições distintas relacionadas ao cérebro e deve ser encarada mais como 
uma síndrome que como uma doença.© Getty Images/iStockphoto

 

Ver uma pessoa que você ama, tipo seu pai, sua mãe, um avô ou uma avó, perder a memória, pode ser arrasador. Mas o simples fato de alguém começar a se esquecer ou se confundir de vez em quando não significa automaticamente que a pessoa esteja manifestando sinais do mal de Alzheimer.

Pode não ser nada, é claro. Ou então o declínio ou confusão cognitiva pode ser um sinal de demência, que não é a mesma coisa que Alzheimer, a despeito do que muitas pessoas talvez pensem. Embora existam sobreposições entre as duas coisas, há diferenças importantes entre elas que precisam ser notadas.

Seguem informações sobre as diferenças entre demência e mal de Alzheimer, para que você possa ajudar seus entes queridos – ou você mesmo – a ter acesso ao tratamento correto.

Demência é um termo inclusivo que abrange muitas condições – incluindo a doença de Alzheimer

Demência é um termo que pode ser aplicado a várias condições diferentes ligadas ao cérebro. Deve ser encarada mais como uma síndrome que como uma doença.

"Demência é uma perda cognitiva em qualquer momento da vida e abrange várias doenças", disse George Perry, cientista chefe do Consórcio de Saúde Cerebral da Universidade do Texas em San Antonio e editor-chefe do "Journal of Alzheimer's Disease". "A demência pode ocorrer em qualquer etapa da vida ... ou em função de um acidente que provoque lesão cerebral ou acidente vascular-cerebral."

Dentro desse grupo se inclui o mal de Alzheimer, responsável por mais de 50% dos diagnósticos de demência, segundo Elise Caccappolo, professora de neuropsicologia e diretora do Serviço de Neuropsicologia do Centro Médico da Universidade Columbia. E, embora seja complicado assinalar as causas do Alzheimer (falaremos mais sobre isso mais adiante), a idade pode ser um fator importante.

"Mais de 60% da perda cognitiva relacionada à idade se deve à doença de Alzheimer", disse Perry.

A maioria das pessoas não sabe ao certo se tem Alzheimer.

O que torna o Alzheimer uma doença difícil de diagnosticar é o fato de que a condição só é confirmada com uma autópsia.

"Podemos diagnosticá-la quando a pessoa está viva, mas nunca teremos certeza absoluta até depois da morte, quando, mediante autópsia, é possível procurar alterações patológicas específicas no cérebro que permitem determinar que ela morreu de Alzheimer", disse Caccappolo.

"Os grandes centros médicos têm condições bastante boas de fazer esse diagnóstico, mas em outras partes do país, ou quando um paciente é atendido por um neurologista geral, o termo 'Alzheimer' às vezes é empregado de modo muito corriqueiro. Se a pessoa não tem Alzheimer, a medicação não vai ajudá-la e ela pode acabar ficando sem outros tratamentos que poderiam ser úteis."

Um dos indícios mais fortes de que uma pessoa pode ter Alzheimer é a clássica perda de memória de curto prazo. Isso ocorre, disse Caccappolo, porque o Alzheimer se manifesta na área do cérebro responsável por aprender informações novas e criar memórias novas. Isso explica por que uma pessoa com Alzheimer provavelmente consegue se lembrar do que comeu no restaurante em que saiu com seu hoje marido ou mulher pela primeira vez, 50 anos atrás, mas tem dificuldade em se lembrar onde deixou seus óculos (ou mesmo se lembrar de que hoje precisa de óculos).

Outros tipos de demência geralmente se desenvolvem de maneira diferente do mal de Alzheimer

Ao lado do Alzheimer há três outros tipos de demência que, segundo Caccappolo e Perry, são as mais comuns. Elas incluem a demência vascular, que ocorre quando uma pessoa sofre um AVC ou diabetes que provocam falta de oxigênio no cérebro; a demência frontotemporal, uma condição que tipicamente afeta pessoas com a partir de 60 anos, quando uma proteína semelhante à de Alzheimer leva à perda de neurônios cerebrais; e a demência com corpos de Lewy, em que depósitos proteicos se formam nas áreas do cérebro responsável pelas memórias e as habilidades motoras.

Todas essas doenças têm sintomas diferentes, mas todas podem provocar instâncias de alterações repentinas de humor, transformação de personalidade e um declínio marcante nas habilidades cognitivas e motoras. Muitas coisas, desde absorver informações até vestir-se pela manhã, passam a levar mais tempo e a dar mais trabalho. Perry acrescentou que em casos graves, como a demência com corpos de Lewy, os pacientes podem chegar a sofrer alucinações.

Fatores de risco de demência e mal de Alzheimer

Um aspecto um pouco perturbador tanto da demência quanto do Alzheimer é que não existe nenhum indicativo real de quem é mais suscetível que outras pessoas a desenvolver uma doença ligada à demência.

"A maioria dessas doenças é esporádica, não tem causa genética evidente", disse Perry. Algumas pessoas podem ter uma herança genética – esses casos geralmente envolvem a versão precoce da doença --, mas o simples fato de alguém de sua família ter tido Alzheimer não significa que você também terá.

"Se sua avó teve Alzheimer com 40 e poucos anos, então você teria razão para se preocupar mais e fazer um exame genético. Mas se ela tiver tido Alzheimer com mais de 65 anos, você talvez tenha um risco aumentado, mas ainda assim é realmente pequeno", disse o pesquisador.

Já se discutiu a possibilidade de o consumo de álcool causar qualquer tipo de demência, inclusive Alzheimer, mas, para Caccappolo, não há razão para crer que isso seja fato.

"Não é frequente diagnosticarmos demência devida ao consumo de álcool, e essa não é uma causa conhecida. O alcoolismo agrava outras condições, mas é raro as pessoas desenvolverem demência apenas devido ao abuso de álcool", ela disse.

Para Perry, porém, fatores comportamentais podem exercer um papel grande. Hábitos saudáveis, incluindo uma alimentação correta e exercício físico adequado, são cruciais para tratar e para reduzir nosso risco de desenvolver Alzheimer e outras demências.

 


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