Batendo na porta do céu


Gente é muito bom estar com vocês novamente após quatro meses e dez dias. Depois dessa última pancada, aquela música Knockin´On Heaven´s Door (batendo na porta do céu) para mim virou um hino, meu tema. Essa é a oitava vez que bato na porta do céu, e felizmente ainda não me atenderam.

Em outras vezes que bati, eu ostentava uma pequenina proeminência abdominal (pesava 111,5 kg), então o pessoal falava que eu tinha um air-bag natural. Dessa vez, fui informado posteriormente, que no momento do acidente, eu transportava um gato, que morreu. Concluí que como essa foi a oitava vez, seria meu fim. Então tomei as sete vidas do bichano, e agora ainda me restam seis, já que os bichinhos têm sete.

Bom, mas ninguém pode me acusar de não ser criativo. Já bati num cachorro, um boi, um trem, uma moto, dois carros, uma árvore e agora no canteiro central do trevo.  A próxima, se houver, será num avião. 

Em 2002, depois de uma bordoada que dei num fusca na Rua sete de setembro, fiquei dois anos traumatizado e não colocava as mãos em uma moto. Mas como sempre digo que tudo tem um lado bom, dessa vez eu não consigo me lembrar de absolutamente nada, então não fiquei traumatizado, e a vida continua. Só lembrando que havia trocado de moto porque bati em outubro, e pra estrear a nova, duas semanas após a aquisição, bati novamente.

Mas faço questão de dizer novamente, que tudo tem um lado bom. Após o acidente, perdi 12,5 kg, e minhas roupas voltaram a servir todas, ou seja, teoricamente renovei o guarda-roupas. 

O que me judia um pouco é a medicação, que mudou muito o meu jeito de ser. De uma hora para a outra, a vida ficou bela. Apesar de corinthiano fanático, o Rogério Ceni marcou o centésimo gol na gente, e eu achei lindo. O Santos foi campeão, e achei o maior barato, que o Neymar é o cara. Meu chefe me aluga dizendo que a tendência é eu deixar de torcer pelo timão, porque abrirei os olhos e verei que torço por uma droga de time. E eu nem o xinguei (um pouco pelo fato dele ser meu superior hierárquico).

Também resolvi voltar para a igreja, porque desisti de ficar batendo na porta do céu de forma tão abrupta e vou tentar agora me aproximar de forma mais convencional.

Deixando as brincadeiras de lado, gostaria de agradecer a todos que rezaram por mim, meus familiares, amigos do trabalho, bombeiros que me socorreram, médicos e funcionários do hospital, e em especial ao Mané, meu grande amigo que me amparou nesse momento difícil da minha vida (espero não te dar nenhuma manchete para o site novamente).

 


Silvio Santos é recordista de sobrevivência às pancadas
na cabeça, o que o torna, o maior cabeça-dura em atividade motociclística.

 



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