Existem circunstâncias que nos abrem para dialogar sobre quem somos. Circunstâncias que nos ajudam a ver que existe em nós uma abertura ao transcendente. Essas circunstâncias nos proporcionam pensar no infinito.
Ao olhar para nossa vida vemos que existem pegadas de uma transcendência, por isso para nós é muito importante aquela gama de valores como a amizade, a família e o amor.
A busca de cada pessoa pelo bem é já um encontro, ainda que parcial, da tendência ao infinito. Todos nós experimentamos esse anelo mais profundo, esse desejo no mais “interior de nós mesmos” pela felicidade.
A realidade cristã descreveu essa busca do homem pelo infinito como “Capax Dei”, ou seja, as pessoas possuem uma abertura a esse plano transcendente, infinito. Assim a mulher e o homem, criados à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 26), são capazes de Deus, desejam-no e podem encontrá-lo.
O Concílio Vaticano I e o Concílio Vaticano II, vale lembrar aqui que ambos os concílios foram ecumênicos, afirmaram que “Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza mediante a luz natural da razão humana a partir das coisas criadas” ( cf. Vaticano I: DS 3004; cf. 3026; Vaticano II, DV 6).
Os seres humanos, como seres capazes de transcendência, em busca do infinito, podem encontrar a Deus pela luz natural da razão, ou seja, quando contemplamos uma montanha, a luz do sol invadindo nossa janela, por exemplo, podemos contemplar que existe algo mais que pode responder-me quem sou. Através das coisas criadas podemos experimentar a genialidade de um criador. Quando vemos uma obra de arte ficamos maravilhados com as mãos que deram forma a um espetáculo diante de nossos olhos. Assim acontece com a nossa mesma natureza, seria o ser humano só uma junção de partículas acidentalmente unidas formando uma massa?
Desde este ponto de partida, que é descobrir nossa capacidade de transcendência, que não é uma questão somente religiosa, o ser humano começa uma viagem para responder a essa questão fundamental de sua existência.
Assistimos assim a uma nascente pluralidade de religiões. Quando todos pensavam que “Deus estava morto” (concepção moderna), há um crescimento de instituições em busca do Infinito. As pessoas buscam uma resposta para suas questões últimas como: quem sou eu? Porque o sofrimento, de onde ele vem e para quê serve? Que sentido tem minha vida? O que acontece após a morte?...
Esse leque de religiões, seitas, grupos, ONGs, ciências humanas..., nos confirma que de fato o homem experimenta em sua antropologia esse desejo pelo que escapa de suas mãos.
A resposta a estas questões antropológicas podem ser diversas, mas a que queremos apontar como caminho é uma verdade de fé: Jesus Cristo. A resposta de Deus as nossas interrogantes. Por isso uma antropologia, para nós, é uma “cristologia frustrada” e uma cristologia seria uma “antropologia realizada”.

Danilo José Janegitz










