Segundo a Bíblia, o trabalho foi considerado pelos hebreus como um castigo divino, pelo qual em fadiga obteríamos o sustento por toda nossa vida. Para os gregos o trabalho era próprio dos escravos, enquanto a reflexão convinha aos nobres. Sempre houve uma clara distinção entre trabalho braçal e trabalho intelectual.
É interessante que, assim como satisfazemos nossas necessidades através do trabalho, também podemos nos satisfazer e atingirmos objetivos através do estudo. Nesse sentido, o trabalho, assim como o estudo, podem nos trazer prazer e realização. Não entendo então como podem ser felizes aqueles que passam sua vida na mais completa ociosidade, sem produzir nada e sem desenvolver suas aptidões.
Infelizmente veem-se hoje muitas pessoas trabalhando apenas pelo que o dinheiro lhes propicia, desconsiderando os bens que o trabalho pode lhes trazer, e para a vida de outras pessoas. Dessa forma o tempo no trabalho passa a ser um inimigo de interesses mesquinhos e o outro passa a não ter importância. Por isso, podemos dizer também que o relógio-ponto seria considerado por muitos como um instrumento de castigo, mas, a meu ver, apenas dos maus trabalhadores, pois condicionaria o pagamento de seus salários a sua assiduidade e pontualidade. É inegável então a importância da vocação e do amor pelo trabalho que se faz, diferentemente de uma "feição" onde apenas obtemos os meios para sobreviver.
Foi com grande entusiasmo que li nota publicada recentemente de que 0 Diretor de Saúde de Paraguaçu recebera um prêmio e seria homenagiado por estar entre os 100 mais atuantes na saúde do País. Admisnistrar não é fácil, Saúde Pública requer acima de tudo, humanização, profissionais capacitados e com vontade de fazer aquilo que lhe é pedido, não só como obrigação, pelo seu, as vezes, mísero salário, no caso dos Médicos, seus maravilhosos salários, mas sim como seres humanos, prontos a ajudar ao próximo, ter ética profissional. Por experiência própria, trabalhar na saúde pública é complicado, a população não tem conhecimento do que é de direito, o que se pode fazer, e por outro lado, a administração não pode fornecer alguns dados, pois algumas pessoas também abusam de algumas “prioridades”. Por várias vezes, onde trabalhei, em outra cidade, vi alguns médicos batendo seu ponto no hospital e até mesmo posto de saúde, se ausentando e retornando depois no seu horário de fechamento de ponto, e isso com certeza não é culpa do diretor ou secretário de saúde, é culpa do próprio funcionário, servidor publico que deveria dar exemplo e fazer aquilo que está sendo pago para fazer, Não sou contra a mobilização por salários mais justos, sou contra o mal atendimento por baixos salários, pois todos quando foram prestar os seus concursos, já sabiam quanto iriam ganhar e a sua carga horária. Mas como em tudo vejo os dois lados da moeda e, reconhecendo a existência da maldade humana, pergunto-me se com a obrigatoriedade de cumprimento de horário os servidores farão seu trabalho com satisfação ou como um castigo a ser suportado com resignação.
Outro detalhe, ressalto, diz respeito à necessária e efetiva fiscalização que, a meu ver, deve existir, pois enquanto formos conhecidos como o país do "jeitinho" e por não crer em uma total conscientização e em juramentos profissionais, sempre haverá falcatruas e picaretagens, pois todos sabem que é prática comum em qualquer lugar uns baterem cartão para outros. Para tanto, se tal medida for implementada, conclamo a população usuária a controlar os horários de funcionamento dos "postinhos", “pronto socorros,” bem como denunciar à secretária ou departamento todo e qualquer tipo de irregularidade observada, para que seja mantida uma boa qualidade na defesa desse importante direito social. Só reclamar do atendimento, falta de profissionais não adianta, tem é que cooperar!
E, se realmente estiver estudando tal possibilidade, que não deve ser à toa, parabenizo o Sr. Vivaldo Francischet por desejar recuperar a credibilidade da saúde pública em nossa cidade, controlando aqueles que veem no serviço público apenas uma forma de "garantir o seu", omitindo atendimento e respeito à crescente demanda que dele necessita. Talvez outros diretores sigam o seu exemplo e, se não houver comprometimentos, desejem expandir sua iniciativa, dando a nossa população o tratamento que ela realmente merece.

Patrícia Ribeiro










