Por definição é uma sensação desagradável, que varia desde desconforto leve a excruciante, associada a um processo destrutivo atual ou potencial dos tecidos que se expressa através de uma reação orgânica e/ou emocional.
Depois de 39 anos de vida, como é o meu caso, todo mundo já sentiu dor. Dor de ouvido, dor de cabeça, dor de dente, pequenos acidentes na infância, um braço ou uma perna quebrada, e a dor psicológica, tipo a perda de um cachorro, da mãe, de um irmão, ou mesmo uma que vista por olhos alheios seria menor, como a dor de ver o time perder um campeonato.
Ao longo da vida, a dor é sempre nossa companheira, e quando atingimos essa idade, perto dos 40, ela passa até despercebida em certos casos. Eu conheci uma senhora na capital que dizia: chegou aos 40, não doeu, está morto.
Eu mesmo já destruí várias motos em acidentes, acordei diversas vezes no pronto socorro, já quebrei diversos membros (até brinco que se juntarem todos os gessos ao longo da minha vida, dá pra montar uma múmia), e já perdi a mãe, irmão, entes queridos, um cachorro que eu adorava, e sofri muitas desilusões ao longo destes 39 anos.
Mas nada, nada se compara a essa dor. É uma dor que dói (seria isso pleonasmo?) 24 horas ao dia. Dói em todas as células, incomoda aos extremos. Ao contrário de uma dor nas costas, por exemplo, que dependendo da posição em que você estiver dói menos, esta dor não cessa nunca. Independente da posição em que esteja, ou do remédio que tomar, ela dói sempre, e a cada dia que passa, dói mais. É uma dor que é alimentada pelo tempo, pelas lembranças, pelas saudades de alguém que se foi.
Sim, você já entendeu que essa dor, é a dor de perder alguém que se ama, que foi embora, e que nunca mais verá. É a dor do desprezo, da solidão, do desejo de reencontro.
É a dor que te aflige quanto toca o telefone, e você corre desesperado na esperança vã de que seja essa pessoa. É a dor que fica mais intensa quando escuta uma música que te remete a um local ou situação em que estiveram juntos em uma época qualquer. Essa dor se torna lancinante, ao remexer no álbum de fotos, e ver ali a pessoa que é a causa dela, ali tão perto dos olhos, e longe do coração (clichezinho, mas ilustrativo nesse momento).
É a dor do desespero, a dor de saber que errou e não ter como consertar. Em uma mente talvez menos sã, a busca pela cessação da dor, passa por possibilidades mil, até mesmo a morte.
De repente, você que era um roqueiro Heavy Metal na década de 80, um Headbanger (também metalhead), passa a curtir desde Zezé Di Camargo, passando por Roberto Carlos e até mesmo, Waldick Soriano.
Essa dor faz você tentar esconder os olhos para que os amigos mais próximos não saibam que você tem chorado diuturnamente. E a vida segue, como transcreveu muitíssimo bem Caetano Veloso: “...Vou me perdendo, buscando em outros braços seus abraços. Perdido no vazio de outros passos, do abismo em que você se retirou e me atirou e me deixou aqui sozinho...”
Que faço eu da vida sem você?

Silvio Santos, que tem o dom, já visto aqui, de transformar uma tragédia numa piada,sabe também fazer o inverso. Quem sabe se isso que lhe aconteceu foi bom, tem um lado bom, como ele mesmo sempre diz? Mas, entretanto, ele consegue transformar isso num drama sem fim, e, buscar saídas como a morte, ou mesmo o desapego à vida, é uma constante na sua rotina. Apenas salientando que esse texto foi escrito antes do suposto “acidente” que sofreu em janeiro.










