Teologia do Caminho é uma abordagem dada por alguns autores exegetas para expressar a mensagem do Evangelho de Lucas e o Livro dos Atos dos Apóstolos. Olhando para os escritos de Lucas (Evangelho e Atos dos Apóstolos) percebemos pistas de uma possível maneira de entender a mensagem de Jesus Cristo e em que consiste sermos seguidores fiéis de sua mensagem e/ou ensinamentos.
Nosso esforço não consiste em fazer um estudo exegético, mas sim oferecer pistas para entender um pouco a lógica lucana, muito rica de detalhes para nosso caminho de fé.
O Evangelho de Lucas e o Livro dos Atos dos Apóstolos, escritos pelo mesmo autor, nos revelam uma história como caminho profético e salvador. Em Lc-At temos nos personagens uma alusão ao que chamamos de categoria do caminho, é interessante vermos como existe um contínuo movimento geográfico nestes escritos, várias vezes vemos personagens em movimentos: João prepara o caminho, Maria saí a caminho com pressa para ajudar sua prima, Jesus cria o caminho de Deus, depois de sua ressurreição Jesus continua caminhando com seus discípulos, e o Espírito Santo assiste aos cristãos no seu caminho após a morte de Jesus e o último Apóstolo.
Lucas tem em mente uma idéia cronológica deste caminho. Primeiramente temos o Antigo Testamento como uma preparação inicial, como se fosse nossa bagagem para caminhar, o Antigo Testamento se torna assim, nossa equipagem, onde encontramos o calçado e as coisas necessárias para começar nosso itinerário de caminhantes.
O povo israelita caminhou no deserto por quarenta anos, é um exemplo para nós, é manual de sobrevivência em nosso caminho. Olhando para o Antigo Testamento tiramos grandes lições de fé e falta de confiança, de como deixar nossa terra, para buscar a Terra Prometida e como pode ser catastrófico seguir este caminho onde há fome e sede muitas vezes. Para chegar á Terra Prometida o povo passa por muitas provações, reclama, briga com Deus, é castigado (na verdade eles mesmos se castigam por sua falta de fé), sofrem com os inimigos, são ofendidos e muitos acabam desistindo, se entregando ao peso do cansaço.
Logo os profetas seguem guiando o povo de Israel para não se desviarem do caminho, porém parece inútil, sempre acabam se fechando para o anúncio. Mas todos os fracassos do Antigo Testamento mostram um Deus confiante, que é o único que não desiste e que continua apostando no ser humano, apesar de suas fraquezas.
João Batista aparece resumindo toda essa preparação para o Novo, é como se Lucas utilizasse a figura de João como resumo do Antigo Testamento, ele é o precursor, aquele que vem “preparar os caminhos do Senhor” ( cf. Lc 1,76; 7,27). De maneira que João, o Batista é o último profeta de Israel, porque a promessa se cumpre, quando nasce o Messias e é por isso que na visita de Maria a sua prima Isabel, João salta no seio de sua mãe, porque reconhece que a Salvação chegou para Israel, é profeta antes mesmo de nascer.
Ao nascer, Jesus é aquele que caminha, não é o Messias sentado no trono, como Israel esperava, mas é o Messias que caminha com o povo, que anda pela Galiléia, que sobe a Jerusalém, onde se consuma seu caminho do calvário até a direita do Pai.
É bem interessante olharmos para a geografia Palestina, porque na verdade Jerusalém fica bem abaixo da Galiléia, e, no entanto, Lucas sempre diz: Jesus subia a Jerusalém. Isso mostra que o evangelista se refere a um caminho espiritual, geograficamente Jesus desce a Jerusalém, mas pela morte e Ressurreição ele sobe para a Jerusalém celeste.
Mesmo que em Jesus a categoria do caminho se torna realidade, os seus seguidores recebem o Espírito Santo, que os impulsiona a continuar o caminho “até os confins da terra” (Cf. At. 1,1-11), agora o povo de Israel deve continuar seu caminho, se o Antigo Testamento foi a preparação, o Novo Testamento é já estar em caminho, porém agora os cristãos são chamados a continuar caminhando até a meta, por isso a importância do seguimento para alcançar a meta: a Jerusalém Celeste, á nossa Terra Prometida.
Tudo isso pode parecer um pouco complexo, porém uma forma de síntese para nós concluirmos pode ser o seguinte:
Nossa vida é um caminho, nele encontramos pedras, espinhos, caímos, levantamos, descansamos, paramos para recarregar as energias, seguimos andando, voltamos, somos arrastados por más companhias, somos roubados, passamos sede, fome, sofremos a injustiça...mas Jesus é enviado pelo Pai para que possamos orientar-nos para onde é nossa meta, e o Espírito Santo é o combustível para não nos perdermos mais, nos impulsionando e nos dando força para seguir adiante, mesmo quando as pessoas ao nosso lado fraquejam, mesmo quando surgem tempestades, ventos, enfermidades, mortes...O Espírito continua agindo, movendo-nos, para não desistir, pois mesmo que tudo no momento é dificuldade, há uma terra nos esperando, devemos caminhar rumo a nossa Pátria definitiva. Esse mundo é terreno e passageiro, é só o caminho, por isso não podemos fixar nele nossa morada, já que nosso terreno já foi comprado pelo preço de uma cruz.

Danilo José Janegitz










