Dublaram minha voz



Estamos cansados de saber que o brasileiro é um povo não acostumado à leitura. E dependendo do que será lido, as estatísticas caem do abismo.

Jornais entram em falência e a internet ganha espaço como meio de informação. Um meio mais veloz de se viver. Mais fácil, prático. Assim ficamos cada vez mais preguiçosos com a nossa rotina, dependendo sempre do conforto que desejamos. Porque dificultar se podemos facilitar? A simplicidade mal usada pode ser um perigo.

Quem me conhece sabe que sou um chato (ou não) em se tratando de assistir filme. Para muitos pode se tratar apenas de entretenimento, mas cinema é uma obra de arte e deve ser apreciado como um quadro de museu. De preferência com a obra original e sem ninguém conversando. Podem acreditar, tem gente que vai ao cinema para assistir o filme.

Você ouviria aquela música internacional que adora em português? É claro que ouviria, nem se fosse por curiosidade. Mas não é a mesma música, nunca será. Os acordes estão ali, o tema pode ser mesmo, mas a composição daquela língua se perderá. Mesma coisa se eu pegasse um chocolate caseiro e falasse que é um Nestle. O sabor se perde. A magia se vai. Tente imaginar Renato Russo em... russo.

Então porque diabos assistir um filme dublado? A dublagem existe, pois todos nós temos direito a escolha, principalmente quem não sabe e não aprendeu a ler. Mas as pessoas que leem perfeitamente morreriam se tivessem que ler a legenda? “Ler legenda não mata”. Fica a campanha.

A legenda já censura bastante o roteiro, imagina a dublagem. O artista passa meses compondo o personagem, mudando entonação da voz, decorando o texto, interpretando cada fala e, para preguiça do restante do mundo, tem que ouvir outra pessoa que durante uma semana leu um texto (mudando o sentido de várias frases) e recebeu o pagamento. É óbvio que existem ótimos trabalhos de dublagem, mas vamos deixar isso para as crianças e seus desenhos. Pois gente grande tem que tomar vergonha na cara e criar o hábito da leitura. Para aumentar o vocabulário, raciocínio rápido e assistir o melhor que um filme pode oferecer: a atuação. E se a pipoca atrapalhar, faça um regime.

Por: Guilherme Augusto

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