Somos quem podemos ser!



Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão, como me disseram também que papai Noel não existe, que se eu não estudasse ficaria burro e puxaria carroça, me disseram também que o homem do saco, de quem eu tive medo por vários anos, nunca sequer nasceu, a mula, ah! A mula sem cabeça, ela nem existe, que dirá perder a cabeça.

Um dia te disseram varias coisas, te disseram que você não tinha pai, que era adotado, que sua mãe te jogou numa lixeira, que esta senhora agradável e doce por quem você estava sendo criado, não era sua mãe, te disseram também que daqui para frente, ou você dá o seu jeito ou vão passar facilmente por cima de você!

Foi aí, bem aí neste ponto que você olhou para o céu e desejou com toda a sua alma, que as nuvens fossem de algodão, que as tardes de brincadeiras jamais se findassem, que a colônia de férias durasse 365 dias, que a casa daquele vizinho, que você se diverte tanto fosse a sua, principalmente, que aquela família fosse a sua!

Se tivéssemos inventado um novo inglês seria bom, o problema é que tivemos que inventar um novo ouvido, para entender o significado de coisas como já é, pode crer, fala serio, to ligado, ficando ligados 24 horas por dia, fazendo-se usuário do vocabulário popular, para ser ao menos parte integrante de uma sociedade que parece viver muito mais que um momento de embriagues. Desfilando nas avenidas, pisando em pessoas, curtindo uma viagem, frente a malandragem que não gera nenhuma aprendizagem.

Quantas carreiras interrompidas, quantas famílias desfeitas, quantas famílias mal feitas, geradas inesperadas, as pressas, por descuido, atitudes e ações descaradas.

Quanto dinheiro foi gasto para construir aquela ponte que não nos leva a lugar nenhum. Sacos e sacos de cimento investidos para endurecer nossas mentes, tornando-nos descrentes que um dia teremos um congresso descente, cumpridor das leis, trabalhando talvez, discursando com ordem, nos tirando do regresso, trazendo algum progresso que não seja apenas nas suas regalias, estripulias e rebeldias.

O que me leva, seduz, conduz, não traz, não faz, deduz, desfaz, deixando em um poste, no altar, no leito, alguém que poderia ser o que mamãe dizia, afinal quem de nos não ouviu a celebre frase: “ meu filho vai ser doutor”.

Ser muito mais do que somos, buscar algo que de fato se pode apalpar por mais de uma noite, algo que não sai na urina, algo que não pode ser parado por um poste, algo que não escorre por entre os dedos, por entre as ruas, por entre as ferragens, podemos ser, algo que não se pode aspirar, mas expirar, transpirar e ultrapassar as quatro paredes, as rodas de amigos, as belezas exteriores. Podemos ser heróis de nós mesmo, heróis de famílias, heróis nacionais, pois é de garotos como eu e como você, amante seja da musica que for, que vem o help, grandes invenções para o mundo, para a nação, para famílias, para si mesmo, seja na descoberta da cura de uma doença incurável ou em um simples abraço, portanto comece agora mesmo a sua invenção, sabendo que é impossível até que alguém faça!

Portanto SOMOS QUEM PODEMOS SER!

Patrícia Ribeiro
Diretora do Jornal InFocos



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