No Cantinho da Estante (*)


(*) Baseado em um comentário postado no FACEBOOK por uma pessoa que muito me faz sonhar (ela sabe de quem estou falando) e posteriores trocas de mensagens.


Imagine a rede social na qual somos “amigos” como uma estante, grande, alta, com muitos compartimentos, lotados de CDs, DVDs, joguinhos e muitos, muitos livros.

Ali você procura diversão, conhecimento, cultura, ou apenas basicamente, contato com o mundo exterior, hoje tão perto e tão distante, num paradoxo que abala nossa concepção da realidade.

Um dia, você remexendo em sua estante, tanta coisa para ser ouvida, assistida, ou mesmo lida, e você se depara com um livrinho ali no cantinho, esquecido. Tenta se lembrar de onde veio, por que está ali.

Mas ele está lá, pequenino, feioso, empoeirado, ali abandonado no cantinho, esperando um dia ser pego, aberto e lido, e quem sabe entendido.

Pela aparência do mesmo, parece já ter sido lido outras vezes, e o cuidado no manuseio não deve ter sido dos melhores, já que o livrinho está realmente amarrotado, riscado, sujo...; o que poderia você querer com um livro velho desses? Ganhar experiência? Respirar muita poeira?

Nessa dúvida, ele continua lá, no mesmo cantinho da sua estante, um tanto desprezado, entretanto, ao menos não o atirou no lixo.

Outras vezes, tempos depois, novamente ao percorrer sua biblioteca, lá está o livrinho; parece que ele te chama, como uma criancinha, dizendo: “pega eu, pega eu...”

Caramba, por que esse mini alimento de traças (por elas também desprezado) não me deixa em paz?

Então você acaba pegando o livrinho nas mãos. Muito pó, muito desconfortável de segurar, é a primeira impressão. Vira algumas páginas, procurando saber qual assunto ele contém. Para sua surpresa, ele contém diversos assuntos: ecologia, computação, matemática, religião, música, mas alguns muito superficiais, e outros muito complexos; ainda outros muito subjetivos. Tudo junto, sem qualquer organização perceptível. Porém, com um vasto conteúdo, entretanto difícil de ser lido ou manejado. Dessa vez, você apenas sopra o livrinho para tirar o pó que o encobre, e o recoloca no cantinho esquecido. Isso para ele foi um carinho e tanto. Ele estar em sua estante já era o máximo em sua atual existência; você tocá-lo foi um prazer que o mesmo há muito não sentia; por fim, você o soprar e recolocar cuidadosamente no mesmo local, foi como uma ressurreição.

Agora, sinto-me a vontade para te apresentar o livrinho esquecido. Ele já foi manuseado algumas outras vezes desde que foi escrito na década de 70. Ele foi se completando, absorvendo conhecimentos, e se montando, se enchendo de informações. Nem todas porém estavam corretas. Mas uma característica interessante nosso livrinho tem: ele é interativo. Conforme você o manuseia, ele troca informações com você. E ao longo dos anos, depois de ter sido submetido a manuseamentos grosseiros e desajeitados, criou uma casca, uma crosta, uma proteção.

Essa proteção é o material que você teve acesso no primeiro contato. Difícil de ler, de entender, muito subjetivo, muito prolixo.Mas à medida que você for lendo, tomará novos rumos a sua viagem, começará a parte mais interessante, que é a parte da interação.Quando por fim chegar no coraçãozinho do livreto, ele já aberto pra você, te mostrará todo o seu conteúdo. Te mostrará todo amor que guardou ali escondidinho esperando “a leitora”, e ela chegou: você.



  

Ele

Me considero um livro com muito conteúdo, diversificado, entretanto cheio de poeira, por estar abandonado na estante da vida, esperando ser lido (por você especificamente).

Ela

Um novo livro, uma nova história sempre vale a pena ler.

 



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