Uma segunda pessoa aparece em carro dirigido por padre investigado por atropelar suspeito de furto

Homem, que não teve identidade revelada, seria um jovem estudante da Escola Apostólica Dominicana. 



Homem, que não teve identidade revelada, seria um jovem estudante da Escola Apostólica Dominicana

Uma imagem divulgada nesta semana mostra a segunda pessoa que estaria no carro conduzido pelo padre Gustavo Trindade dos Santos, investigado por tentativa homicídio após ter atropelado um homem suspeito de furtar uma igreja, em Santa Cruz do Rio Pardo. O atropelamento aconteceu no último dia 7 de maio e foi flagrado por câmeras de segurança.

A Polícia Civil de Santa Cruz do Rio Pardo confirmou que se trata de uma nova testemunha identificada pelo setor de inteligência. O homem, que não teve identidade revelada, seria um jovem estudante da Escola Apostólica Dominicana e estaria no banco do passageiro, ao lado do frei, no momento do atropelamento.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Valdir Alves de Oliveira, o estudante prestou depoimento e alegou que estaria em estado de choque depois do ocorrido e, por isso, não teria se apresentado à polícia.

Até o momento, três testemunhas foram ouvidas e o inquérito policial deve ser concluído ainda nesta semana. O frei Gustavo não compareceu ao depoimento, após ser intimado a ir até a sede do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), na capital paulista.

Um novo pedido do advogado do frei, protocolado nesta quinta-feira (26) ao juiz, informou que o padre Gustavo deseja ser ouvido para prestar esclarecimentos sobre o caso. Cabe à Justiça decidir se enviará uma nova carta de intimação ao endereço do convento Santo Alberto Magno, no bairro de Perdizes, para onde o investigado se mudou.

Dois pedidos de prisão preventiva contra Gustavo já foram feitos pela polícia, mas negados pela Justiça. Ele deve ser indiciado por tentativa de homicídio.

Na última segunda-feira (23), o padre Gustavo Trindade dos Santos participou de uma missa no Santuário Nossa Senhora de Fátima, em Santa Cruz do Rio Pardo. A participação dele em evento público ocorreu quatro dias após o religioso faltar ao depoimento à Polícia Civil.

Homem atropelado
Segundo o boletim de ocorrência, o homem atropelado furtou a casa paroquial da Igreja São Sebastião arrombando uma das janelas. Ele fugiu do local levando três moletons e uma camiseta. Câmeras de segurança flagraram Ângelo Marcos dos Santos Nogueira, de 40 anos, furtando a casa paroquial momentos antes de ser atingido por um carro da diocese de Ourinhos.

Após mexer nas gavetas e circular pela área, ele se dirige a um cesto, no qual se encontram algumas roupas. O suspeito remexe em várias peças, quando decide levar algumas e foge do local. Ainda segundo o boletim de ocorrência, o atropelado furtou três moletons e uma camiseta.

Em outras imagens de câmeras de segurança, é possível ver a fuga de Ângelo por um outro ângulo. Ele corre pela rua, quando o carro da casa paroquial, sob direção do padre Gustavo, vira a esquina, persegue Ângelo, entra na calçada e o atinge.

Após prensar o suspeito do furto contra a vitrine de uma loja de tintas, o padre retorna à via e sai em disparada do local. Nas imagens, é possível ver parte da lateral dianteira do carro danificada.

Após ser atropelado, Ângelo foi internado na Santa Casa de Santa Cruz do Rio Pardo, em estado grave, onde passou por uma cirurgia, e precisou ser transferido para Ourinhos (SP). Além dos diversos ferimentos sofridos ao ser atropelado, ele contraiu uma infecção hospitalar, segundo sua advogada.

Ângelo segue internado, mas, segundo a advogada, foi extubado e apresentou melhora no quadro clínico.

A polícia apura o furto na secretaria paroquial, que aparentemente teria motivado a atitude do padre. Por esse crime, Ângelo chegou a ser preso em flagrante no dia do atropelamento, mas será investigado em liberdade.

De acordo com a polícia, o frei Gustavo, apesar de ser habilitado, deveria ter renovado a carteira de habilitação em fevereiro de 2020. Por esse delito, o padre deve, a princípio, responder apenas administrativamente pela CNH junto ao Detran.
 

MATAHARI


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